Krenak ensinando a gente: Ideias para adiar o fim do mundo e a crítica à modernidade
DOI:
https://doi.org/10.36592/opiniaofilosofica.2026.v17.1336Palavras-chave:
Ailton Krenak, Modernidade, Pensamento Indígena, Crise CivilizatóriaResumo
O presente ensaio reflete sobre a obra Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, tomando-a como uma elaboração filosófica indígena que interpela criticamente os fundamentos da modernidade ocidental. A partir de uma abordagem ensaística, interpretativa e crítico-reflexiva, ancorada no pensamento indígena como lugar de enunciação e produção de conhecimento, o texto examina como Krenak problematiza noções centrais do projeto moderno, tais como humanidade, progresso e a separação entre natureza e cultura. Argumenta-se que sua crítica evidencia os limites ontológicos e epistemológicos da racionalidade moderna, responsável por sustentar formas de exploração, esgotamento e negação da vida. Mais do que uma denúncia do colapso civilizatório em curso, a obra é compreendida como uma pedagogia política que produz aprendizados possíveis para repensar modos de existência, convivência e cuidado com o mundo, abrindo espaço para imaginar outras formas de habitar a terra em um contexto de crise profunda.
Referências
AMARAL, Fernando. A história indígena na perspectiva de luta dos povos indígenas: Ailton Krenak e o eterno retorno do encontro. In: LIMA, Pablo (Org.). Fontes e reflexões para o ensino de história indígena e afro-brasileira: uma contribuição da área de História do PIBID/FaE/UFMG. Belo Horizonte: UFMG, 2012. cap. 4, p. 93-95.
BISPO DOS SANTOS, Antônio; PEREIRA, Santino. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
BOFF, L. Ecologia: grito da terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1995.
BOFF, L. As quatro ecologias. Ambiental, Política e Social, Mental e Integral. Rio de Janeiro: Mar de Ideias, 2012.
BRANDÃO, Carlos R. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 1981.
CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1978.
DUSSEL, Enrique. Filosofia da Libertação na América Latina. 2. ed. São Paulo: Loyola/UNIMEP, 1977.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Tradução de Enilce Albergaria Rocha e Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018.
KRENAK, Ailton. O eterno retorno do encontro. In: NOVAES, Adauto (Org.). A outra margem do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 23-32.
KRENAK, Ailton. Receber Sonhos. In: KRENAK, Ailton; COHN, Sergio (Orgs.). Encontros: Ailton Krenak. Rio de Janeiro: Azougue, 2015.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. São Paulo: N-1 Edições, 2018.
QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 117-142.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Marcel Amaral, Agemir Bavaresco (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A submissão de originais para este periódico implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação impressa e digital. Os direitos autorais para os artigos publicados são do autor, com direitos do periódico sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original. Em virtude de sermos um periódico de acesso aberto, permite-se o uso gratuito dos artigos em aplicações educacionais, científicas, não comerciais, desde que citada a fonte.

Os artigos publicados na Revista Opinião Filosófica estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.